Obama, o Afrocapitalista: Criar um modelo de desenvolvimento do setor privado a seguir pelo mundo, Por Tony O. Elumelu*

LAGOS, Nigeria, July 9, 2013/African Press Organization (APO)/ — Na semana passada, pela primeira vez desde que me lembro, um presidente dos Estados Unidos visitou África com o investimento no topo da sua agenda e deu prioridade a uma reunião com os líderes empresariais do continente, que são a verdadeira força impulsionadora do desenvolvimento. O Presidente Obama deve ser congratulado pela sua visão e por dar a prova mais clara de sempre de que as regras de relacionamento com a África estão a mudar genuinamente.

Photo Tony Elumelu: http://www.photos.apo-opa.com/plog-content/images/apo/photos/tony-elumelu.jpg

A era da ajuda está a chegar ao fim. O tipo de ajuda que mais auxiliará África e que deverá receber a máxima prioridade é a ajuda para os negócios. Creio que o setor privado africano tem o poder para transformar o continente através de investimentos de capital a longo prazo, criando prosperidade económica e riqueza social. Chamo a esta abordagem ao desenvolvimento “Africapitalismo” e, sem dúvida, acolhe a maior promessa para o desenvolvimento sustentável de África.

Foi assim refrescante ver as empresas africanas à volta da mesa, a financiar e a investir na qualidade de parceiros e a certificar-se de que África afirma o seu papel nesta oportunidade.

Já sinto o impacto do novo diálogo de Obama com África. Nas entrevistas que dei aos meios de comunicação social que estão a fazer a cobertura desta viagem, felizmente, as temáticas da ajuda e da corrupção não foram o tema central. Os jornalistas abordaram temas como “capital”, “investimento” e “comércio”.

O impacto desta mudança será imenso.

A energia é o grande obstáculo ao desenvolvimento de África e, nessa medida, é o investimento mais catalisador e estratégico que se pode fazer em África. É por isso que o enfoque do presidente Obama é tão oportuno—e tão necessário. Duplicar a capacidade de geração de energia duplicará o PIB de África e permitirá que avancemos para um crescimento sustentável e orientado internamente. Dada a sua importância económica, o setor da energia também representa uma atraente oportunidade de investimento para os investidores a longo prazo: existe pouca concorrência, pelo que o retorno, quando chegar, será elevado. Será semelhante aos retornos que os primeiros investidores nas telecomunicações africanas realizaram antes de o setor ficar saturado e altamente competitivo.

Como investidor, acredito em fazer bem e praticar o bem. Investir no setor da eletricidade satisfaz ambos os critérios. Por esse motivo, a Heirs Holdings fez um investimento de 2,5 mil milhões de dólares que irá expandir a central elétrica nigeriana, recentemente adquirida em Ughelli, e irá desenvolver os projetos de espaços industriais abandonados e sem ocupação prévia em toda a África.

Mas colmatar a lacuna energética de África requer um investimento de longo prazo e uma enorme disponibilização de capital: serão necessários mil milhões de dólares só para adquirir a central de Ughelli e fazê-la produzir à sua capacidade máxima de 1000 megawatts. Dadas as enormes necessidades de capital de África para o setor da energia, uma iniciativa como “Power Africa” é essencial para reunir investidores internacionais e instituições financeiras para apoiar o paradigma de mudança de poder de África.

A Nigéria foi um dos sete países incluídos no programa—países que estão na linha da frente da reforma energética em África. O processo de privatização de classe mundial dirigido pessoalmente pelo presidente Goodluck Jonathan demonstra que a Nigéria merece esse lugar. E significa que o setor da energia nigeriano terá acesso a termos preferenciais e um destaque sem precedentes junto dos financiadores que procurem cumprir os seus compromissos públicos ao abrigo da iniciativa “Power Africa”. A iniciativa “Power Africa” também oferece um modelo para os 47 países africanos que não chegaram à lista inicial de países piloto. O continente só conseguirá colmatar a sua lacuna energética se mais líderes africanos reformarem urgentemente as suas políticas e encorajarem este tipo de investimento liderado pelo setor privado.

Como empreendedor, sei que atrair capital não é nem nunca foi o problema. Sempre acreditei que se as políticas e o ambiente estiverem certos, o investimento começará a fluir para África. Os investidores têm de saber que o estado de direito e a proteção dos direitos de propriedade estão assegurados—este é um dos requisitos mais importantes do capital. É por isso que incito os líderes globais, como o presidente Obama, a reiterar junto de mais líderes africanos que o desenvolvimento alimentado pelo investimento requer mais políticas “amigas dos investidores”. Vejo uma vontade nos líderes africanos em agarrarem esta oportunidade, mas precisam de apoio e, em alguns casos, orientação. A visão pode ser clara, mas não sabem como lá chegar.

O presidente do Ruanda, Paul Kagame, é outro modelo positivo para o continente—um líder africano progressista que personifica visão e compromisso. O Ruanda encontra-se atualmente numa posição mais elevada que qualquer outro país da África subsaariana quanto à competitividade global e classifica-se em terceiro lugar na classificação geral de África. O presidente Kagame e a sua equipa criaram o tipo de ambiente propício com que os investidores de outras paragens de África só se podem limitar a sonhar. Por este motivo, a Heirs Holdings, a Berggruen Holdings e a 50 Ventures, escolheram o Ruanda como o berço da nossa Bolsa de Valores Mobiliários da África Austral (EAX), que será lançada a 15 de julho.

A EAX trará liquidez, transparência e energia acessível a agricultores, ao mesmo tempo que reduz o risco dos empréstimos para os bancos. O impacto será a criação de riqueza social nas comunidades locais e apoiar o desenvolvimento na região. Tal como os investimentos no setor da energia, a EAX demonstra o Africapitalismo em ação: destacando a enorme função de desenvolvimento do setor privado africano. Quando me reuni com o presidente Kagame no ano passado, ele compreendeu imediatamente o significado de uma bolsa de valores mobiliários para a região da África Austral e não se poupou a esforços para que se concretizasse. O governo do Ruanda cumpriu todas as suas promessas, o que permitiu ao nosso grupo de investidores cumprir as suas próprias promessas: a equipa de investimento certa, em parceria com um governo apoiante, para melhorar as vidas dos agricultores da região.

Seguindo estes modelos—da iniciativa “Power Africa” e da EAX—podemos transformar toda a economia africana, começando pelo setor da energia. Um dia, os 70% de africanos sem acesso a energia consistente e acessível terão como um dado adquirido que podem transformar as suas casas, escritórios e escolas com o toque de um botão. E irão recordar a visita de Obama. Porque com o envolvimento do setor privado garantido, esse dia em breve será uma realidade.

Na Tanzânia, apertei a mão de um Africapitalista que também é o homem mais poderoso do mundo. Foi um evento imensamente significativo para mim, um investidor africano de longa data, e creio que a visita de Obama foi também um evento significativo para África. Irá voltar a atenção do mundo para o investimento em África. Já está a mudar as perceções e a mobilizar investidores internacionais. Irá mudar as perspetivas de muitos investidores africanos, que irão perceber que temos de liderar o caminho. Porque se dermos o primeiro passo e mostrarmos confiança no nosso continente canalizando as nossas poupanças para investimentos de longo prazo em África, outros seguir-se-ão. Este é um dos pilares do Africapitalismo: africanos por África.

A visita de Obama foi um marco, há muito esperado, que terá um impacto duradouro. Confirma que a era da ajuda externa está a chegar ao fim. Chegou o momento do setor privado assumir a liderança.

*Tony Elumelu (http://tonyelumelu.com/) é um empreendedor, filantropo e presidente da Heirs Holdings Limited (http://heirsholdings.com), uma empresa de investimento privado pan-africana. É o antigo CEO do Grupo do United Bank for Africa (http://www.ubagroup.com) e atual presidente da Transcorp (http://www.transcorpnigeria.com). Pode ser encontrado no Twitter em @TonyOElumelu (https://twitter.com/tonyoelumelu).

Distributed by the African Press Organization on behalf of Heirs Holdings.

Para mais informações:

Moky Makura

Heirs Holdings

E-mail: moky.makura@heirsholdings.com

Tel.: +234-1-277-4641

Powered by WPeMatico

Share
This entry was posted in African News. Bookmark the permalink.

Leave a Reply